sábado, 12 de julho de 2014

Individuais

Para complementar um presente, resolvi fazer uns individuais. Já os tinha feito anteriormente aqui mas agora foram feitos numa cor diferente.
Desta vez foram pensados para acompanhar um par de talheres de servir, que encontrei na Silverfield.
Espero que as laureadas gostem.



Ora vejam:







sábado, 17 de maio de 2014

Meio Século

Hoje não vou por paninhos quentes, nem sequer publicar algum projecto de costura criativa. Espero que gostem do texto que retrata, a década representativa da idade em que eu e muitos mais nos encontramos. Mesmo, sem saber se existe dialéctica entre o meu sentir e o Vosso, aqui está:


Sim, é verdade: Já ultrapassei mais de meia década dos meus 50 anos. Mais de meio século. Mais que meia vida - ou muito mais que meia vida, se pensar nos anos que lhe roubei entre vícios, como o tabaco, e outros prazeres, como noitadas e algum álcool à mistura, bem como outras asneiras, alimentares, por exemplo. Admitamos então: mais que meia vida.
E no entanto, um terrível vazio na hora de escrever. Não porque não tenha o que dizer, ou não queira dizer, mas porque inadvertidamente me lembrei de um texto notável de Vasco Pulido Valente, publicado na revista “K”, quando ele próprio fez 50 anos. O texto está em livro (“Retratos e Autoretratos") e eu fui buscá-lo. Reli-o. E lixei-me.
Que mais dizer depois do que ele disse? Um bocado quase ao acaso:
“Não há transição. A infalibilidade e a confiança perdem-se de repente. Ontem corria tudo bem, hoje corre tudo mal. Ontem não se fazia um erro, hoje só se fazem erros. A pessoa é a mesma: o corpo e a cabeça. As circunstancias são as mesmas, os outros são os mesmos. Por mais que se procure nada mudou. Só mudou o efeito que se produz no mundo. Um homem deita-se com o mundo aos pés e acorda com ele às costas”.
A imagem do peso e da passagem dos anos. Nada muda, e no entanto tudo muda. Que mais dizer? Que ideia acrescentar? Vasco Pulido Valente encontra aos 50 anos a sua essência: não quer saber do corpo para nada, só quer saber da cabeça, “numa indiferença fingida” - “afinal, a qualquer momento, ele (o corpo) pode acabar comigo”. Leio e reconheço nele uma parte de mim, é um facto, mas essa é a parte a que resisto e fujo, porque não me agrada nem me ajuda. Viver também é escolher entre os vários que há dentro de nós a quererem tomar conta de tudo.
Nessa luta que vou travando comigo próprio, noto uma diferença essencial, aos 50 anos, entre mim e o Vasco…: a sua lucidez e conhecimento fizeram-no pessimista - “O mundo está perigoso”, foi ele quem decretou há uns anos - enquanto a minha ignorância e prolongada falta de lucidez persistem em manter-me optimista. Eu sei que o corpo tem 50 anos - mas eu sinto-o com bem menos anos, mesmo quando ele me tenta acordar para a realidade. Eu sei que a cabeça tem 50 anos - mas a falta crónica de memória, aliada a uma incontornável curiosidade pela vida, não a deixam ter tantos anos. Alinhando com o que escreve o Vasco…, mas “à minha maneira”: já não acordo com o mundo aos pés, mas estou longe de acordar com ele às costas. Ainda não estou suficientemente satisfeito para me dar ao luxo de sentir mais que meia vida, até porque não me lembro de parte dela.
Há momentos em que julgo que está tudo no começo. Depois acordo. Há momentos em que sinto a angustia do tempo. Tento adormecer. Não pensar demasiado no passado nem perder muito tempo com o futuro são balanças que se equilibram e garantem um presente que me parece ser eterno, mesmo que pressinta que corre. Regresso ao Vasco…: “conta-se com angustia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra”.
Sim, o tempo. Passa mais depressa do que a minha capacidade de o absorver, de o viver, de o respirar. Não quero cair na tentação de o contar, seja para trás ou para a frente - e na fúria de evitar essa armadilha, tropeço no próprio tempo e, atabalhoado, acabo enrodilhado nele. Resultado: sinto que passa, mas sinto que corro ao seu lado, que tento não o perder da vista nem do coração.
Infantilmente, acabo por reconhecer que tenho orgulho em chegar aos 50 anos. Em ter conseguido chegar. Muitos ficaram pelo caminho, desistiram, conformaram-se, amoleceram. Deixaram de viver ou deixaram-se viver. Podem ter 45 ou 55 ou 60, que é igual, podem estar por cá ou ter partido - em todo o caso, arrumaram as botas.
Eu não arrumei as minhas. Talvez seja por isso, mais do que por causa do texto genial do Vasco Pulido Valente, que tenha agora dificuldade em escrever sobre esta mais que meia vida.
No fundo, só tenho duas certezas neste preciso momento: não, a vida não começa aos 50. Mas também não acaba. 
E uma linha na agenda dos dias: 

...tenho tanto para fazer...!




quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tricotar ou Cozinhar


Parece que é mas não é. Mas que tem graça, lá isso tem. É no mínimo original. A artista plástica Jessica Dance e o fotógrafo David Sykes decidiram homenagear a arte de tricotar e a diversidade gastronómica que se encontra nos cafés britânicos e nos restaurantes de fast food um pouco por todo o mundo.

Ela tricotou, ele iluminou e fotografou. O resultado é este:


Atenção ao detalhe, impressiona. São muitas horas à volta de duas agulhas e novelos de lã (eu sei do que escrevo)...!


Jessica confessou ao site it's nice that que "o bacon foi o que me fez perder mais tempo. Queria mesmo ter a certeza de que a gordura ficaria convincente, tal como as salsichas!"

Imagino!

Que paciência!

O pior é que estas réplicas são tão perfeitas que até nos dão certa fome...!

Não deixe de espreitar o trabalho de Jessica e de David nos respectivos sites.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cravo


Queria encontrar um tecido com cravos para celebrar a data. como não encontrei, quedei-me num pobre texto.


O 25 de Abril

(Quando ganhei consciência de mim, lembro-me de haver comemorações do 5 de Outubro de 1910. Tinham passado qualquer coisa como 50 ou 60 anos sobre a data, e o facto dizia-me rigorosamente nada. A mim e aos meus amigos, sem excepção)

Desde há uns anos, penso nisto sempre que penso no 25 de Abril. Se, para mim (com 16 anos acabados de fazer em 1974), a data convoca e comove, faz sentido e é relevante, e entra no top 10 das datas mais importantes da vida vivida, também percebo que ela seja uma espécie de 5 de Outubro de 1910 para os que nasceram depois de 1974. Percebo, respeito e não me ponho de cátedra a falar da ignorância dos mais novos - porque, na verdade, não é muito diferente da ignorância dos mais velhos.

Dito isto, acho que o 25 de Abril de cada ano devia ser menos celebrado na saudade da revolução, na evocação da revolução, na promoção eterna dos heróis da revolução - devia, antes, ser o momento de enaltecer a democracia, a liberdade, os direitos humanos, o ideal de justiça, de paz, o direito à saúde, à educação, e à igualdade de oportunidades. Essas são as pedras basilares do regime - e é isso que devemos “ensinar”, transmitir, passar, valorizar em cada 25 de Abril.

O resto, adocica e enternece quem viveu esse momento único de uma vida - mas diz cada vez menos a quem precisa cada vez mais de perceber o que ganhou com a revolução. Antes que se vire contra tudo o que ela nos trouxe de bom.
Há razões para festejar. Mas era bom que quem tem de saber porquê, saiba porquê. Com romagens de saudade não vamos lá. Pelo contrário.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ramos de Páscoa



É sempre com grande dificuldade, mas também com entusiasmo, que nesta quadra Pascal tratamos dos ramos para oferecer aos padrinhos dos nossos filhos. Porque as ideias não surgem, ou são pessoas que têm tudo, ou merecem muito mais que um simples ramo de alecrim e oliveira, ou mesmo um ramo de flores mais elaborado.
Sempre achei que a simplicidade, além de mais elegante, é muito mais difícil de atingir. Basta ver os bouquets sugeridos pela maior parte das lojas de flores. Pecam pelo excesso, e na maior parte das vezes envergonham o Kitsch.
Foi assim que resolvemos fazer algo diferente e com cunho pessoal.
Vasinhos de flores simples, colocados em cachepots de costura criativa. Estes mini projectos em linho grosso e forrados com tecido plastificado, resultaram em belos exemplares, que podem ter variadíssimas utilizações.
Para completar, adicionamos uns pratos e taças em porcelana acompanhadas de amendoas e ovos de codorniz cozidos.
O resultado final ficou bem agradável.
Espero que gostem…!.


domingo, 13 de abril de 2014

Os Cabides para a Mª da Paz

Foi com muito orgulho que aceitei o desafio de fazer estes cabides. A escolha de tecidos e acessórios é muito importante para o resultado final, tão ou mais, como a execução. 
Depois de alguma busca, a escolha caíu num tecido para o fundo em 100% linho e tecidos de algodão da 512 ideias, bem como os acessórios (fitas espiguilhas e rendas). Os cabides/cruzetas de madeira são os melhores. A escolha caiu nos da Ikea. Com eles deve fazer-se a base para o molde.


O roupeiro da Maria da Paz vai ficar lindo...!


Tecidos às pintinhas, riscas, flores, etc.


Fitas, rendas, espiguilhas...!


Este projecto é forrado o que o torna um modelo mais requitado do que os habituais. Para o forro, foi usado o mesmo linho do exterior. 


Agora ém só passar a ferro e colocar nas cruzetas.


Ficaram lindos...não sei qual o mais bonito...!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Capa para Livro



Os livros são uma das melhores companhias que podemos ter. Por tal razão, devem se bem protegidos, tanto para que fiquem sempre impecáveis, como preserva-los de algum olhar indiscreto, se a leitura for num lugar público. Assim, resolvi fazer uma capa de protecção para livros. Pode ser usada em diversos tamanhos e espessuras, desde que não se afastem muito uns dos outros. Pode ser usada em casa, no jardim, no campo, na praia, no autocarro, no comboio, no avião, enfim, quando tiver vontade de ler. 

Qualquer livro ficará elegantemente vestido...com este fato...!

Começe pela escolha dos tecidos.

Escolhi um linho crú e vários tecidos estampados.

Cortam-se 30 quadrados de todos os tecidos, que depois de unidos devem dar dois paineis de 15 quadrados cada. Cose-se a parte central fazendo o painel exterior do livro.


Corta-se a parte interior, usando o exterior como medida. Cortam-se duas tiras de um, ou mais tecidos usados no exterior para as abas. De um dos lados, faz-se a baínha e prende-se como na imagem acima. Depois, une-se os dois paineis, direito com direito, deixando uma pequena abertura para virar o trabalho. Use a parte central, superior ou inferior para essa abertura.

Corte os quatro cantos. E vire o trabalho.


Depois passe bem a ferro. Aponte a fita marcadora e feche a costura prendendo-a. Esta costura deve ser feita o mais na margem possível e em toda a volta do painel de linho central exterior.

E voilá. A capa de livro pronta...!